O Google Pixel 10 Pro é muito semelhante ao Pixel 9 Pro por fora, mas dá um passo claro na forma como integra a IA no dia a dia. Não é “IA por IA”: onde realmente se nota é na câmara, com funções que ajudam a acertar na captação antes de disparar. A mais interessante nos nossos testes foi o Camera Coach, porque atua como um copiloto de composição em tempo real.
O design é de continuidade e, neste caso, joga a favor: o telemóvel mantém esse toque de gama alta, com um acabamento elegante que dissimula bem as impressões digitais. A ergonomia também está bem trabalhada, com bordos arredondados que tornam o terminal confortável na mão.
Em resistência, cumpre o que se exige a um “Pro”: Gorilla Glass Victus 2 à frente e atrás e certificação IP68. Na prática, sente-se sólido e bem construído, com um ecrã de 6,1 polegadas que facilita a utilização com uma mão para tarefas rápidas.
O novo Pixel mantém uma configuração de câmaras muito semelhante à do ano passado, mas as melhorias chegam por software e pelo processamento (que, num Pixel, costuma ser metade do resultado):
Na prática, a câmara principal oferece uma qualidade excelente: bom alcance dinâmico, tons de pele naturais e resultados consistentes mesmo em contraluz. A teleobjetiva é a que mais se destacou para retrato: o 5x ótico consegue um desfoque convincente e, em sujeitos com cabelo ou texturas finas, mantém detalhe sem parecer “pintado”. À noite, comporta-se bem em cenas moderadas: não faz milagres em escuridão extrema, mas oferece resultados utilizáveis sem que o ruído domine a imagem.
Em resumo: aqui o importante não é o número de megapíxeis, mas sim o processamento e a forma como a IA ajuda a tomar melhores decisões antes de disparar.
Zoom x1
Ultra Grande Angular (0.5x)
Teleobjetiva x3
Teleobjetiva x5
Zoom Digital x10
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Camera Coach é a função que melhor explica a abordagem deste Pixel. Apoia-se no Gemini e na compreensão de cena para sugerir alterações de composição, enquadramento e distância focal antes de tirar a fotografia. Nos nossos testes, revela-se especialmente útil em retratos (para corrigir enquadramentos) e em cenas “caóticas” onde é fácil deixar elementos indesejados na margem.
Além disso, funciona como ferramenta de aprendizagem: com a utilização, interioriza-se que enquadramentos resultam melhor. Mantém-se também o repertório de funções assistidas, como Inclui-me, que deixa um espaço na primeira captação e depois captura o utilizador para o integrar no enquadramento final.
Em paisagens, por exemplo, pode sugerir um enquadramento mais equilibrado, recomendar um recorte/zoom mais adequado ou indicar um modo que ajude a ganhar luz e alcance dinâmico. Nem sempre acerta, mas quando o faz, poupa tempo e repetições.
O ecrã OLED de 6,1 polegadas mantém uma resolução máxima de 2.865 × 1.280 px e uma densidade de 495 ppp. Se no início não surgir na definição máxima, é normal: pode vir configurado com uma resolução inferior para poupar bateria (pode ser alterado em Definições).
Com 120 Hz ativados, a sensação de fluidez é excelente. A paleta de cores adaptativa acrescenta mais contraste e vivacidade e, na utilização diária (scroll, aplicações, navegação), nota-se uma experiência muito equilibrada. É um telemóvel muito agradável para conteúdos e jogos, embora em sessões exigentes o aquecimento possa fazer-se notar.
O único ponto menos positivo encontrado está no brilho automático. No papel, 2.000 nits HDR e picos de 3.000 nits são valores muito elevados, mas nos testes o automático tende a ficar algo curto em exteriores e, em interiores, por vezes ajusta de forma irregular. Recomendação: aumentar manualmente o brilho se for utilizado durante bastante tempo ao ar livre.
O Tensor G5 não procura superar em potência bruta os mais recentes Snapdragon ou os chips da Apple. A sua abordagem é diferente: priorizar tarefas de IA e processamento no dispositivo, com fabrico da TSMC. Na utilização real, isso traduz-se numa experiência fluida e muito bem integrada com as funções inteligentes do sistema.
Segundo a Google, o desempenho em tarefas relacionadas com IA melhora 60% e o salto geral face à geração anterior ronda 34%. No dia a dia, verifica-se um telemóvel competente em multitarefa e edição fotográfica, embora continue atrás de alguns rivais premium caso se procure desempenho máximo sustentado.
Com uma bateria de 4.870 mAh, o Pixel 10 Pro supera o dia sem dificuldade em utilização normal. Onde fica aquém é no carregamento: aproxima-se das duas horas com um carregador PD de mais de 30 W, um valor que atualmente se revela conservador face a vários concorrentes.
Para quem pretende uma câmara de alto nível e, sobretudo, um telemóvel que ajude a obter melhores fotografias com menos esforço, o Google Pixel 10 Pro é uma opção especialmente adequada. Face ao Pixel 9 Pro, não revoluciona o hardware, mas aperfeiçoa a experiência: melhores sugestões, maior consistência e menos necessidade de “corrigir” posteriormente.
Relativamente ao Google Pixel 10, a diferença nota-se sobretudo na fotografia: o Pro oferece um conjunto mais completo. E, para quem considera o Google Pixel 10 Pro XL, a principal diferença é o tamanho: é muito semelhante, mas com um ecrã de 6,7 polegadas.
O Google Pixel 10 Pro é uma escolha clara para quem prioriza a fotografia e pretende alcançar captações de elevado nível com o apoio da IA. Face ao Pro XL, mantém a essência com um preço mais contido e, relativamente ao Pixel 10, oferece um conjunto mais completo. Está disponível na Powerplanet ao melhor preço.